Chez Cultura
MÚSICAPor: Pedro Alexandre Sanches
Falafa
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O Falafa é um restaurante pequeno, aconchegante. A música ambiente invade os ouvidos logo à entrada e se faz imediatamente um ingrediente da sensação de acolhimento – pode parecer banal, mas experimente se perguntar quantas vezes se sentiu aconchegdo(a) pela música de fundo num restaurante.
Não há nada de casual nessa interação. As trilhas são moldadas por um dos sócios, Rocco Bidlovski, que é ex-integrante da banda Tokyo (liderada, nos anos 80, pelo roqueiro Supla) e irmão do produtor musical (e bamba) Eduardo Bid. “Sou músico a vida toda, e faço a trilha com muita satisfação”, Rocco explica a simples e rara harmonia no Falafa.
A seleção é, de fato, de especialista. O jazz predomina, mas sem o ranço “chique” (ou pseudochique) de muitos restaurantes que optam pelo gênero para ostentar sofisticação. Rocco garimpa o jazz em seus recantos menos óbvios, enriquecendo o ambiente com uma variedade que contempla reggae e dub, pitadas de blues e soul e muita latinidade. A impressão após algum tempo passado no Falafa é de unidade e identidade musical.
“De música nova, quase tudo de que gosto é rock, pop e indie. Sendo assim, 95% do que toco no Falava é vintage. Curto muito música dos anos 50, 60 e 70. Blue Note é incrível, mas não dá para comer ouvindo um solo de batera de Art Blakey ou um trompete de Freddie Hubbard”, explica, com lógica de quem entende do riscado. “Já tentei um pouco de soul da Motown, mas não curti na casa.”
Rocco cita o fato de o Falafa ser uma “zona de paz” entre a culinária árabe e a judaica, mas não sabe explicar a ausência de música da terra natal: “Por alguma razão desconhecida, não toco música brasileira no restaurante. Gosto muito, mas não combina com o Falafa”. A trilha do restaurante parece perfeita do jeito que é, mas eis aí um mistério ainda por decifrar – e comum a muitos restaurantes da dita babel paulistana.
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