Chez Cultura
MÚSICAPor: Pedro Alexandre Sanches
Lorena, 1989
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O ambiente é amplo, e nem sempre se ouve com clareza a música que está tocando ao fundo. Isso pode ser bom, porque não estamos numa boate. Ou ruim, porque a música se dispersa pelo saguão. Ou uma mistura entre o “bom” e o “ruim”. Na soma entre prós e contras, a trilha sonora no restaurante Lorena, 1989 não é, nunca, o personagem principal do cardápio. Num almoço de sábado, os sons se espalham entre um punhado de gêneros diferentes, às vezes divergentes. De modo circular (pois a função “música aleatória” do iPod está ligada), alternam-se música eletrônica suave, folk rock, french touch, country rock clássico, pop romântico, algum jazz, nenhuma música brasileira. “Não sou brasileiro, e minha cultura em música daqui é bem limitada”, justifica Sebastien Orth, sócio do restaurante e responsável pela seleção musical.
Vasculhando o iPod com 213 músicas que está em ação, encontro duas out três de Chico Buarque, mais Willie Dixon, Neil Young, Lou Reed, Serge Gainsbourg, Johnny Cash, Nancy Sinatra, Jacques Dutronc, Lalo Schiffrin, Kinks, Beach Boys, Love, Grateful Dead, Keith Jarrett, Led Zeppelin, Carly Simon, Alan Parsons, Angelo Badalamenti, Gonzales, Arcade Fire, MGMT. O “shuffle” pode rodar do agresssivo heavy metal de Black Sabbath ao deprê indie de Elliott Smith, passando pelo pop alegre do Tom Tom Club. “Fico mudando as músicas mensalmente. Teria que mudar mais, mas não consigo”, explica Sebastien.
Ele conta que oscila entre seus rocks prediletos (Sabbath, Neil Young, Nirvana), trilhas sonoras de cinema (Ennio Morricone, Badalamenti) e modas da hora (Four Tet, Ratatat). O objetivo é dar a cara do Lorena (e talvez da loja que originou o restaurante, a Surface to Air, que fica ao lado), mas em certas mudanças bruscas de estilo a cara (anônima) de Sebastien às vezes pula à frente.
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