Chez Cultura
CINEMAPor: Bruno Mello Castanho
Folia cinematográfica
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Mostra “Péter Forgács: Arquitetura da Memória” – Até o dia 26 de fevereiro, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) apresenta uma retrospectiva inédia no Brasil dedicada ao cineasta e artista multimídia húngaro Péter Forgács. O diretor tornou-se reconhecido internacionalmente pela criativa utilização de imagens de arquivo, de filmes de família (home movies) e de registros caseiros de meados do século XX. A mostra reúne. Muitas de suas imagens foram obtidas através de uma fundação criada especificamente para registrar imagens de famílias que se interessavam por anúncios publicados no jornal. É a partir da apropriação e resignificação dessas imagens que o artista constrói a sua obra, levantando questões como privacidade, lembranças e guerra. A mostra reúne alguns dos títulos mais importantes de Forgács que, embora muito premiado e reconhecido no exterior, é quase um desconhecido para o público brasileiro. Destaque, entre outros, para “The Bartos Family”, uma visão subjetiva do Holocausto, e “El Perro Negro”, sobre a Guerra Civil Espanhola. A curadora da mostra é de Patrícia Rebello. Mais informações e a programação completa estão no site http://www.bb.com.br/cultura.
CineClube MuBE – Neste sábado de carnaval, 18 de fevereiro, às 15h, o CineClube do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) segue com sua programação, com o filme “As Sete Vampiras”, de Ivan Cardoso, um “terrir” (terror com humor) que também é o mais carnavalesco dos títulos do ciclo “Os Esquecidos dos Anos 1980 – A Década Ignorada”, coordenado pelo jornalista e crítico Christian Petermann. O botânico Frederico Rossi (Ariel Coelho) é morto por uma planta carnívora trazida da África. Ao encontrar suas roupas ensanguentadas, sua esposa Silvia (Nicole Puzzi) é ferida no braço e passa a sofrer de súbito envelhecimento. Ela se isola do convívio das pessoas e precisa tomar o antídoto preparado pelo falecido marido. Descoberta por um velho amigo, Silvia é convidada a trabalhar numa boate e decide montar um balé com as Sete Vampiras. O ciclo pretende, com a exibição de sete longas-metragens realizados no eixo Rio de Janeiro-São Paulo, resgatar diferentes tipos de produção audiovisual que caracterizaram os anos 1980, um período de lenta abertura política no cenário nacional e crescente decadência da imagem do cinema brasileiro junto ao espectador médio, com a crise da Embrafilme e a invasão da pornografia no circuito de salas populares. As sessões são gratuitas. Mais informações no site http://mube.art.br. Verão de Clássicos – Ainda segue em cartaz, até o dia 26 de fevereiro, na Cinemateca Brasileira, a quarta edição da mostra “Verão de Clássicos”, exibindo uma seleção bastante variada de filmes memoráveis, cult movies e raridades de diversas épocas, países e gêneros. Como resultado dessa verdadeira “escavação arqueológica”, clássicos que não circulam há tempos e filmes obscuros ganham nova chance de caírem no gosto do público em sessões realizadas exclusivamente com cópias em película. Durante o carnaval, destaques para “Adrenalina Máxima” (Sábado, 18/02, 21h15), um clássico do cineasta japonês Takeshi Kitano, que influenciou muito a obra de Quentin Tarantino; “Ensaio de Orquestra” (Domingo, 19/02, 21h), uma homenagem do italiano Federico Fellini à música, uma das paixões de sua vida; “Lancelot du Lac” (Terça, 21/02, 21h15), versão cinematográfica das lendas do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, mas à maneira original do diretor francês Robert Bresson; “Fome de Viver” (22/02, Quarta, 18h30), responsável por revelar o cineasta britânico Tony Scott e marco absoluto da estética “gótico-chique”, dos anos de 1980, trazendo ainda Catherine Deneuve e David Bowie no elenco. Mais informações no site http://www.cinemateca.com.br/ Programação do CineSesc – Além de uma Sessão do Comodoro especial de Cinzas, dia 22/02, quarta, às 21h30, em que o cineasta Carlos Reichenbach comenta e exibe em versão original filmes de seu acervo particular, serão durante o carnaval as últimas exibições de três filmes em cartaz no CineSesc. “Triângulo Amoroso” (19h10) é o mais recente filme do diretor alemão Tom Tykwer, consagrado por “Corra Lola, Corra”. O longa traz a história de amor de Hanna e Simon, casal que vive em Berlim, e o envolvimento de ambos com o mesmo homem, Adam. “As Praias de Agnés” (14h30) é uma autobiografia documental da cineasta belga radicada na França Agnès Varda. Por meio das praias, entrevistas, fotografias, reportagens e trechos de suas obras, ela revisita seu passado, da infância em Bruxelas aos dias de hoje. Por fim, “Caminho para o Nada” foi selecionado para o último Festival de Veneza e é o mais novo trabalho do diretor americano Monte Hellman, cultuado pelos poucos filmes que fez. Os três seguem em cartaz até o dia 23 de fevereiro. Mais informações no site www.sescsp.org.br/cinesesc. Manoel de Oliveira, o Cineasta da Palavra – Talvez o programa cinematográfico mais imperdível do carnaval seja a mostra, no Cine Olido, que homenageia o realizador português Manoel de Oliveira que, com 103 anos, é o cineasta em atividade mais velho do mundo. Autor de 32 longas, é um dos diretores mais admirados, com filmes como “Acto de Primavera” (1963), “Vou Para Casa” (2001), “Um Filme Falado” (2003), “Aniki-Bobó” (1942), “A Carta” (1999), “O Princípio da Incerteza” (2002), “O Estranho Caso de Angélica” (2010), entre outros. Pelo conjunto de sua obra, Oliveira recebeu a Palma de Ouro em 2008, a Berlinale Camera do Festival de Berlim em 2009 e o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Assim, o Cine Olido traz ao espectador paulistano algumas das mais importantes obras recentes desse cineasta pouco exibido no Brasil. Mais informações no site www.galeriaolido.sp.gov.br. A Separação – Segue em Cartaz em cinco cinemas da capital talvez o melhor filme do ano até agora, o iraniano “A Separação”, dirigido por Asghar Farhadi. O jogo proposto pelo cineasta traz a plateia para tão próximo do longa, que estamos o tempo todo buscando nos posicionar perante os imbróglios jurídicos. Essa necessidade de se adotar uma postura crítica perante uma obra de arte é um dos inúmeros acertos de “A Separação”, que consegue aliar diversas camadas de leitura com a simplicidade de sua proposta. Por mais que se passe em um Irã repleto de contradições, o filme consegue ser universal ao trazer à tona os desencantos de um sistema jurídico constrangedor e, ao mesmo tempo, colocar os seus conflitos no âmbito da luta de classes existente em qualquer regime capitalista. O mais triste é constatar, ao sair do cinema, que de nada adianta escolher um lado se os conflitos colocados são desdobramento de uma sociedade perversa, sempre regida por valores financeiros e que deixa de lado as subjetividades humanas. Os personagens de “A Separação” são facilmente reconhecíveis e, por isso, entendemos os dramas que antes de serem interiores, são exteriores. Há muito o que se falar dessa obra-prima (difícil eu usar essa palavra, mas a empolgação me venceu), mas nada se compara ao prazer de senti-la em uma sala escura. Imperdível. |

CineClube MuBE – Neste sábado de carnaval, 18 de fevereiro, às 15h, o CineClube do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) segue com sua programação, com o filme “As Sete Vampiras”, de Ivan Cardoso, um “terrir” (terror com humor) que também é o mais carnavalesco dos títulos do ciclo “Os Esquecidos dos Anos 1980 – A Década Ignorada”, coordenado pelo jornalista e crítico Christian Petermann. O botânico Frederico Rossi (Ariel Coelho) é morto por uma planta carnívora trazida da África. Ao encontrar suas roupas ensanguentadas, sua esposa Silvia (Nicole Puzzi) é ferida no braço e passa a sofrer de súbito envelhecimento. Ela se isola do convívio das pessoas e precisa tomar o antídoto preparado pelo falecido marido. Descoberta por um velho amigo, Silvia é convidada a trabalhar numa boate e decide montar um balé com as Sete Vampiras. O ciclo pretende, com a exibição de sete longas-metragens realizados no eixo Rio de Janeiro-São Paulo, resgatar diferentes tipos de produção audiovisual que caracterizaram os anos 1980, um período de lenta abertura política no cenário nacional e crescente decadência da imagem do cinema brasileiro junto ao espectador médio, com a crise da Embrafilme e a invasão da pornografia no circuito de salas populares. As sessões são gratuitas. Mais informações no site
Verão de Clássicos – Ainda segue em cartaz, até o dia 26 de fevereiro, na Cinemateca Brasileira, a quarta edição da mostra “Verão de Clássicos”, exibindo uma seleção bastante variada de filmes memoráveis, cult movies e raridades de diversas épocas, países e gêneros. Como resultado dessa verdadeira “escavação arqueológica”, clássicos que não circulam há tempos e filmes obscuros ganham nova chance de caírem no gosto do público em sessões realizadas exclusivamente com cópias em película. Durante o carnaval, destaques para “Adrenalina Máxima” (Sábado, 18/02, 21h15), um clássico do cineasta japonês Takeshi Kitano, que influenciou muito a obra de Quentin Tarantino; “Ensaio de Orquestra” (Domingo, 19/02, 21h), uma homenagem do italiano Federico Fellini à música, uma das paixões de sua vida; “Lancelot du Lac” (Terça, 21/02, 21h15), versão cinematográfica das lendas do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, mas à maneira original do diretor francês Robert Bresson; “Fome de Viver” (22/02, Quarta, 18h30), responsável por revelar o cineasta britânico Tony Scott e marco absoluto da estética “gótico-chique”, dos anos de 1980, trazendo ainda Catherine Deneuve e David Bowie no elenco. Mais informações no site
Programação do CineSesc – Além de uma Sessão do Comodoro especial de Cinzas, dia 22/02, quarta, às 21h30, em que o cineasta Carlos Reichenbach comenta e exibe em versão original filmes de seu acervo particular, serão durante o carnaval as últimas exibições de três filmes em cartaz no CineSesc. “Triângulo Amoroso” (19h10) é o mais recente filme do diretor alemão Tom Tykwer, consagrado por “Corra Lola, Corra”. O longa traz a história de amor de Hanna e Simon, casal que vive em Berlim, e o envolvimento de ambos com o mesmo homem, Adam. “As Praias de Agnés” (14h30) é uma autobiografia documental da cineasta belga radicada na França Agnès Varda. Por meio das praias, entrevistas, fotografias, reportagens e trechos de suas obras, ela revisita seu passado, da infância em Bruxelas aos dias de hoje. Por fim, “Caminho para o Nada” foi selecionado para o último Festival de Veneza e é o mais novo trabalho do diretor americano Monte Hellman, cultuado pelos poucos filmes que fez. Os três seguem em cartaz até o dia 23 de fevereiro. Mais informações no site
Manoel de Oliveira, o Cineasta da Palavra – Talvez o programa cinematográfico mais imperdível do carnaval seja a mostra, no Cine Olido, que homenageia o realizador português Manoel de Oliveira que, com 103 anos, é o cineasta em atividade mais velho do mundo. Autor de 32 longas, é um dos diretores mais admirados, com filmes como “Acto de Primavera” (1963), “Vou Para Casa” (2001), “Um Filme Falado” (2003), “Aniki-Bobó” (1942), “A Carta” (1999), “O Princípio da Incerteza” (2002), “O Estranho Caso de Angélica” (2010), entre outros. Pelo conjunto de sua obra, Oliveira recebeu a Palma de Ouro em 2008, a Berlinale Camera do Festival de Berlim em 2009 e o Leão de Ouro do Festival de Veneza. Assim, o Cine Olido traz ao espectador paulistano algumas das mais importantes obras recentes desse cineasta pouco exibido no Brasil. Mais informações no site
A Separação – Segue em Cartaz em cinco cinemas da capital talvez o melhor filme do ano até agora, o iraniano “A Separação”, dirigido por Asghar Farhadi. O jogo proposto pelo cineasta traz a plateia para tão próximo do longa, que estamos o tempo todo buscando nos posicionar perante os imbróglios jurídicos. Essa necessidade de se adotar uma postura crítica perante uma obra de arte é um dos inúmeros acertos de “A Separação”, que consegue aliar diversas camadas de leitura com a simplicidade de sua proposta. Por mais que se passe em um Irã repleto de contradições, o filme consegue ser universal ao trazer à tona os desencantos de um sistema jurídico constrangedor e, ao mesmo tempo, colocar os seus conflitos no âmbito da luta de classes existente em qualquer regime capitalista. O mais triste é constatar, ao sair do cinema, que de nada adianta escolher um lado se os conflitos colocados são desdobramento de uma sociedade perversa, sempre regida por valores financeiros e que deixa de lado as subjetividades humanas. Os personagens de “A Separação” são facilmente reconhecíveis e, por isso, entendemos os dramas que antes de serem interiores, são exteriores. Há muito o que se falar dessa obra-prima (difícil eu usar essa palavra, mas a empolgação me venceu), mas nada se compara ao prazer de senti-la em uma sala escura. Imperdível.