Chez Cultura

VINHOS
Por: Gabriela Monteleone

A exuberância da Espanha





A Espanha produz outras coisas belas além de Penélopes Cruz e Antonios Banderas. Além de uma gastronomia apurada e distinta onde a ordem é apoiar uma bebericagem (sic), os vinhos estão em um grau de refinamento impressionante.

A característica desses vinhos sempre foi marcada por aromas e sabores que fazem remetem à baunilha, frutas em compota e uma certa oxidação. Os produtores mais tradicionais ainda o fazem dessa forma, e com maestria permitem que seus vinhos envelheçam lindamente, porém uma nova onda está chegando lentamente ao mercado mundial de vinhos e mostra um novo sentido ao vinho espanhol.
 
Vinhos com fruta mais fresca, cores vibrantes, textura macia e potente, e um aspecto novo e empolgante aos aromas:  notas florais e com mineralidade. E o que isso nos trás no final das contas é uma expressão muito mais verdadeira do Terroir.

A Espanha dos vinhos se divide da seguinte maneira:
 
A chamada Espanha Verde, se estende desde a Galicia no noroeste até Euskadi passando pela costa verde de Asturias e Cantabria, nessa área notamos a influência marítima do Atlantico e do golfo de Vizcaya. É aqui que temos as denominações de Rias Baixas, Ribeira Sacra, Ribeiro, Valdeorras, Monterrei e a Costa Cantábrica.
 
A área de produção mais nobre e também a mais consumida, não só mundialmente mas também pelos próprios espanhóis, é Castilla y León.Compreende as regiões de Bierzo, Cigales, Ribera Del Duero, Rueda e Toro, é o berço do nobre e mítico Vega Sicília.
 
Na chamada Espanha do Norte e Centro estão dispostas as regiões de Rioja, Navarra, Aragón, Calatayud, Campo de Borja, Cariñena e  Somontano. Aqui a condição geográfica e climática privilegia a produção de uvas tintas, e abriga a região vinícola espanhola mais conhecida mundialmente a Rioja.
 
Ao redor da cidade de Barcelona está a região da Catalunya e Balears. Aqui o espanhol não é espanhol, é catalão! Seus vinhos são a favor da diversidade, talvez reflexo da cultura local, e não encontramos características padronizadas, a meu ver um belo elogio. Compreende as DO deCatalunya, Alella, Empordà-Costa Brava, Conca de Barberà, Pla de Bages, Costers Del Segre, Penedès, Terra Alta, Priorat, Tarragona, Cava, Pla i Levant e Binissalem. É a casa do espumante símbolo da Espanha: a Cava.
Levante é muito próxima à Catalunya porém mais quente. Suas regiões são Bullas, Jumilla e Yecla, aqui os vinhos são intensos com um apelo quase que moderno de fruta exuberante e coloração pungente.
 
La Meseta é uma das regiões mais secas em que já estive! Lá está a Capital espanhola Madrid e, além dos vinhos da capital, compreende os vinhos da Região de Castilla- La Mancha onde temos Almansa, La Mancha, Ribeira Del Júcar, Manchuela, Méntrida, Pago Dominio de Valdepusa, Pago Finca Élez e Grandes Pagos de Castilla, Valdepeñas, e a  Extremadura com as regiões de Ribera Del Guadiana.

Andalucía além de ser a terra do flamenco é também a terra do Jerez, e conhecer essa região é uma experiência mágica. Aqui encontramos os vinhos de Condado de Huelva, Málaga e Serras de Málaga, Jerez, Montilla-Moriles.

Isla Canarias tem,  além de uma beleza de cair o queixo, vinhos produzidos de uvas plantadas em pé franco ( nunca sofreram com filoxera ). Compreende as regiões de La Palma, El Hierro, Abona, Tacoronte-Acentejo,Ycoden-Daute-Isora, Valle de Güímar, Valle de La Orotava, Monte Lentiscal, Gran Canaria e Lanzarote.

Além dessa macro regiões, a Espanha conta ainda com comunidades autônimas produtoras e cada uma das macro regiões também produzem vinhos fora da DO, de forma independente.

Imagine você o delicioso trabalho que dá descobrir a Espanha, certamente um trabalho extenso, porém nenhum pouco árduo.
Olè!