Chez Cultura
MÚSICAPor: Pedro Alexandre Sanches
Mocotó
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Visitar o restaurante Mocotó é um programa completo. Inclui passeio até a Vila Medeiros, na zona norte de São Paulo, a animada (e gigantesca) fila de espera, o bate-papo na calçada, os petiscos e bebes enquanto não vaga uma mesa, a comida - e, obviamente, a trilha sonora.
Se o tema de todo o pacote é o Nordeste, o cardápio não se completaria sem a música - infelizmente tocada em volume insuficientemente alto, ou então incapaz de competir com o zunzunzum geral nos ambientes internos, menos ainda na calçada de espera. Feita essa ressalva, o som do Mocotó é tão delicioso quanto seus sabores.
Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro são os reis do baião, do xote, do xaxado, do coco, da embolada - e são os reis do Mocotó também. A seleção pode enfileirar um clássico depois do outro, da "Asa Branca" de Gonzaga ao "Chiclete com Banana" de Jackson. Fazem pensar, quando se está lá, em quanto o Brasil urbano e, digamos, "moderno" está perdendo ao desdenhar e desperdiçar o jazz brasileiro (chame de forró, se quiser) de primeira que eles produziram ao longo de grande parte do século XX.
"Além deles dois, tocamos Marinês e Sua Gente, Trio Nordestino, Trio Forrozão", descreve o chef Rodrigo Oliveira, o paulistano filho de nordestino que inventou o conceito da casa. "Também tocamos artistas das novas gerações, como os sudestinos Falamansa e Forróçacana."
A motivação é toda brasileira, mas não se resume ao forró ou à música nordestina. "O repertório foi sendo constituído com o tempo, a grande base vem da digiltalização da minha coleção particular de CDs", continua Rodrigo. Tocamos exclusivamente música brasileira, mas além da música nordestina passam pela vitrola muita MPB, bossa nova e samba." Estar no Mocotó, até por conta da música, é estar no coração do Brasil.
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